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Diocese de Los Angeles tem duas novas bispas

17 de maio de 2010 10 Comentários

Sete anos após a sagração do Rev. Gene Robinson como bispo da Diocese de New Hampshire, agora foi a vez de uma reverenda homoafetiva ser sagrada bispa. A Diocese de Los Angeles no último final de semana ordenou formalmente a reverenda Mary Glasspool ao episcopado. Glasspool é a bispa de número 1045 na Igreja Episcopal dos Estados Unidos. Em 2003, quando da sagração de Gene Robinson ele utilizou um colete à prova de balas por baixo das vestes sacerdotais, pois recebeu ameaças de morte por parte de grupos fundamentalistas cristãos. Dessa vez, porém, a cerimônia foi celebrada em clima de grande alegria e contou apenas com a pequena interrupção de dois manifestantes dentre as três mil pessoas que se reuniram para orar por Mary Glasspool e Diane Bruce, as novas bispas auxiliares da Diocese de Los Angeles, que conta com 147 congregações, 44 escolas e 20 instituições, reunindo em sua área aproximadamente 70 mil episcopais.

 

A Liturgia contou com o apoio e participação de cerca de 30 bispos, incluindo o Revmo. Rev. Martin Barahona de El Salvador, o bispo aposentado de Uganda Christopher Senyonjo, a bispa Barbara Haris (que em 1988 se tornou a primeira bispa da Comunhão Anglicana) e do Revmo Bispo Gene Robinson, da Diocese de New Hampshire. Participaram ainda os bispos Frederick H. Borsch (aposentado), Lawrence Provenzano (Long Island), Mark Hollingsworth Jr (Ohio) e três bispos da Diocese de Maryland, onde a Reverenda Mary Glasspool trabalhou por oito anos.

Também estiveram presentes bispos da Igreja Evangélica Luterana da América, Dean Nelson (Sínodo do sudoeste da California) e Murray D. Finck (Sínodo do Pacífico), além de pastores da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, da Igreja Metodista e da Igreja Unida de Cristo.

A bispa Diane Bruce é casada com Stephen Bruce, o casal tem dois filhos adultos.

A bispa Mary Glasspool é filha de um clérigo da Igreja Episcopal e vive há duas décadas com sua parceira Becki Sanders, que também é formada em teologia e em serviço social. Elas se conheceram em Boston (Massachussets), quando Mary ainda era seminarista.

  

(Bispa Diane Bruce à esquerda e bispa Mary Glasspool, à direita)

 

A liturgia foi marcada por elementos da rica diversidade cultural de Los Angeles, e contou com a participação de um baterista coreano, de gaiteiros da Universidade da California, uma banda de louvor chinês (Paróquia St. Thomas) e uma banda mariachi, alem de um coral de 125 vozes da Diocese representando 147 congregações que entoou cânticos de louvor da Nigéria, Itália e de outros países. A celebração durou, ao todo, 3 horas e foi realizada na Arena Long Beach.
A procissão começou com uma dança litúrgica conduzida por um dragão chinês e o bater de tambores. A Bispa Presidente Katharine Jefferts Schori iniciou a liturgia com a Proclamação da Páscoa: “Aleluia, Cristo ressuscitou”, seguida pela Coleta pela Pureza. No momento do Kyrie, uma voz gritou “Arrependei-vos” do pecado da homossexualidade”. Foi a única manifestação de oposição. 

As duas candidatas foram apresentadas por grupos diferentes de clérigos. A Comissão Permanente Diocesana atestou que as candidatas foram devidamente eleitas pela convenção diocesana e que são pessoas experientes e plenamente qualificadas na fé e no caráter para exercer a função de bispas para a honra de Deus e a edificação da Igreja, e que suas vidas davam testemunho de exemplo salutar para o rebanho de Cristo.A eleição de ambas também foi aprovada por maioria na Cãmara dos Bispos da Igreja Episcopal dos Estados Unidos e pela maioria das dioceses.
A Bispa Presidente perguntou se havia alguém poderia apresentar qualquer razão pela qual a sagração não pudesse ser realizada. Após um período de silencio e, sem que houvesse qualquer manifestação contrária, a bispa perguntou à congregação presente se era seu desejo que Diane e Mary fossem ordenadas bispas. 

“Esse é o nosso desejo”, foi a resposta.

Ela perguntou novamente se a comunidade apoiaria Diane e Maria como bispas, e toda congregação respondeu positivamente.

Seguiu-se a Liturgia da Palavra, apresentada em vários idiomas – inglês, coreano, espanhol e tagalog (dialeto filipino).

A aclamação ao Evangelho foi feita através de um canto africano acompanhado pela batida de um tambor.

Na homilia, o bispo Bruno declarou: “É importante entender que essas mulheres foram chamadas pela comunidade de Deus. Eles foram chamadas pelo povo de Deus para ocupar um lugar que outras mulheres não tiveram ainda na Diocese de Los Angeles. Elas são chamados a ser apóstolas da Igreja; elas são chamados a exercer o ministério de Jesus neste lugar, de tal forma que o mundo seja transformado”

O bispo Bruno lembrou ainda: “Em Cristo não há judeu nem grego, nem escravo nem livre. Não há nem homem nem mulher, gay ou hetero. Na Igreja Episcopal não há excluídos”.

A Bispa Presidente lembrou às novas colegas que elas são chamadas a guardar a fé, a unidade e a disciplina da igreja, para celebrar os sacramentos, para ordenar diáconos e padres e pastores fiéis e ser exemplos salutares para o rebanho de Cristo.

As duas mulheres então silenciosamente ajoelharam-se diante da Bispa Presidente e o hino Veni Sancte Spiritus foi entoado como em latim.

No momento em que a voz da bispa presidente iniciou a oração de consagração, todos os bispos presentes circularam as duas mulheres impondo-lhes as mãos.

Para ler, em inglês, um testemunho da bispa Mary Glasspool, acesse o link:

http://bishopssuffragansearch.ladiocese.org/Candidates/glasspool.html

 O testemunho da bispa Diane Bruce também pode ser lido no link:

http://bishopssuffragansearch.ladiocese.org/Candidates/bruce.html

Damos graças a Deus pelo testemunho da Diocese Episcopal de Los Angeles e pelas vidas das Bispas Diane Bruce e Mary Glasspool.

 

10 Comentários »

  • Augusto Araujo disse:

    Caro Reverendo Calvani:

    Magnífica notícia! Fico comovido e muitíssimo feliz de que esteja crescendo a compreensão de que a orientação sexual e sua vivência não são impedimentos para o serviço de Deus de seu povo. Um forte abraço!

  • Padre Antonio disse:

    Comovido agradeço ao Senhor.

  • mazuk disse:

    A Igreja dos E.U.A. Tem mostrado ao mundo como a inclusividade deve ser exercida no contexto da prática. Fico muito feliz que homens e mulheres, idependente de qualquer particularidade, seja respeitado em sua totalidade e levado a sério o desejo de Jesus de trazer sempre para perto de Si todos nós (pecadores que somos). Parabéns às Bispas: Diane Bruce e Mary Glasspool e que tenham um Episcopado cheios de frutos para a diocese de los-angeles e ao mundo.

  • mazuk disse:

    colocamos o site da paróquia da inclusão (como parceiros) no blog da http://www.pastoraldadiversidadesexual.blogspot da Paróquia São Felipe (IEAB), em Goiânia-Goiás.

  • Jubal Neves disse:

    Fico feliz com a ampla notícia da sagração da bispa Diane Bruce, grande amiga do Brasil,e nossa amiga pessoal desde vários anos, quando enviamos a revda Carmen Etel à diocese de Los Angeles, para um período ministerial. Diane é uma pessoa muito capaz e competente, com um carisma enorme. Oramos por seu ministério, e que isso sirva para nos aproximar ainda mais daquela diocese.
    Dom Jubal Pereira Neves
    Bispo da Diocese Sul-Ocidental

  • Berenice Guedes disse:

    Rev.Calvani. “O Espírito sopra aonde quer!…”
    Deus, o nosso Deus Pai e Mãe, “não faz acepção de pessoas!” Parabéns pela divulgação da notícia e que nossa Igreja entenda que Jesus nos ensinou a Amar e não a “julgar”. A Inclusividade foi ensinada pelo próprio Jesus. Louvado seja Deus!
    Deus abençõe seu Ministério!
    Fraternalmente, no Amor de Jesus Cristo,
    Berenice Guedes

  • Pedro Crisólogo disse:

    Caros irmãos,sou católico e acessei este site por indicação de um conhecido.Considero-o como de excelente qualidade e parabenizo-vos pelo conteúdo apresentado.Em relação à ordenação de mulheres entendo que representa um obstáculo imenso no que diz respeito ao diálogo ecumênico entre a Comunhão Anglicana de um lado e as Igrejas Católica e Ortodoxas de outro.Não estou julgando este tipo de ordenação, mas apenas constatando que ele não é aceito pelas Igrejas Cristãs mais antigas.Ao adotá-lo a Comunhão Anglicana rompeu com uma Tradição milenar e impôs um impecilho praticamente insolúvel no que tange à uma eventual união com a Igraja Católica e com as Igrejas Ortodoxas.

  • admin (author) disse:

    Prezado irmão,

    Obrigado por seu comentário.

    Apenas uma observação – você diz que a Comunhão Anglicana impôs um empecilho “praticamente insolúvel”. Na verdade, não entendemos assim. Sem dúvida, é um empecilho nas relações intereclesiais, mas não é insolúvel. Basta a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas reconhecerem o valor do ministério feminino ordenado.

    abraços

    rev. calvani

  • Pedro Crisólogo disse:

    Caro reverendo,em tese, a ordenação de mulheres não representa um empecilho insuperável,pois,como foi dito, bastaria que a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas viessem a considerar como válidas tais ordenações.Entretanto, a experiência tem demonstrado o quanto essa questão é delicada para tais Igrejas.Arrisco dizer que uma decisão favorável à ordenação de mulheres causaria cismas profundos entre seus fiéis.E isso já seria motivo suficiente para que não ousassem dar esse passo.Caro irmão,na prática , a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas não aceitarão a ordenação de mulheres.Saudações em Cristo!

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